É assim que a gente sente, despejando tudo em qualquer lugar, tudando lugar em qualquer despejo... O que num dia é manta noutro espanta, e tenta e tenta e aspira tanto que fica até meio estranho de se pensar, ou de  pensar em tentar pensar, coisa que repele, e que as vezes me deixa num extase de idéias e saudades e sensações e sinestesia, com fotos, albuns, videos, amigos, experiencias, gente magnífica que entrou saiu e continua e aparece. Enquanto isso tudo muda, tudo gira, tudo entorna e as pessoas se percebem cada vez mais destrutivas, e minha repulsa por isso tudo cresce ainda mais. Estranho demais cara, muito estranho. Tudo mudado, tudo igual, tudo sempre insensato e esquartejado. Se eu me desenhasse transparente e com os órgãos à mostra, ij, queria nem ver.

Cartilha do Governo Federal é proibida.

Uma cartilha produzida pelo Ministério da Agricultura sobre agroecologia teve sua distribuição impedida. A cartilha “O Olho do Consumidor”, que conta com ilustrações de Ziraldo, foi lançada para divulgar a criação do “Selo do SISORG” (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretende padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor.

O livreto, que teve tiragem de 620 mil cópias, foi objeto de uma liminar de mandado de segurança, fruto de ação movida pela transnacional Monsanto, que impediu sua distribuição. Setores do Ministério ligados ao agronegócio também não ficaram contentes com as informações contidas na cartilha. O arquivo foi inclusive retirado do site do Ministério. A proibição se deu por conta do item 5 da página 7 (imagem abaixo), onde se lê:

“O agricultor orgânico não cultiva transgênicos porque não quer colocar em risco a diversidade de variedades que existem na natureza. Transgênicos são plantas e animais onde o homem coloca genes tomados de outras espécies”.

Em autêntica desobediência civil e resistência pacífica à medida de força, assim como o MST, o Movimento Mudança se junta a todos aqueles que estão distribuindo eletrônicamente a cartilha. Se você concorda com esta idéia, continue a distribuição para seus amigos e conhecidos.

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Para ler a Cartilha na íntegra, clique AQUI

Feel the Illinoise!


Às vezes quanto mais altas são as aspirações, melhores os resultados.

Do projecto megalómano de Sufjan Stevens, cantautor norte-americano da cena indie-folk, de dedicar a cada um dos cinquenta estados do seu país de origem um álbum original da sua autoria surge-nos esta preciosidade.
Dedicado ao Illinois, este é um álbum de proporções quase épicas, que disseca ao longo de vinte e duas faixas o imaginário mítico deste estado da América profunda.

Desengane-se, porém, quem pensa que está aqui, em formato áudio, um denso compêndio sociológico sobre a tradição musical e a mentalidade daquelas paragens. Elas estão presentes, é certo, mas com uma leveza e delicadeza tais que quase se tornam imperceptíveis.
Um trabalho de filigrana orquestral, tão elegante quanto directo no apelo ao ouvinte, em quem tão depressa desperta entusiasmo festivo ("Come on! Feel the Illionoise!", "Jacksonville", "The Man of Metropolis steals our hearts"), como uma doce melancolia outonal ("Chicago", "Casimir Pulaski Day", "John Wayne Gacy Jr.").

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Fuja.

Chega, e a mente impera. Torre de transmissão de qual monarca? Satélite buscando "planetas como a Terra" em vocabulário global, e "planetas habitáveis" em linguagem popular. Mal acaba com o nosso, quer reinar e ferrar com outro, assim de cara? Não, o conhecimento, a perícia e a experiência podem ser suficientes para pensar em se mover, mas a natureza não é inteiramente indefesa. As utopias podem ser maiores do que a sudorese em face à uma nova idéia, ao nervosismo da estréia e da oportunidade inalcançada, mas não será esquecida nenhuma agressão por parte do meio ambiente. A tecnologia pode ser capaz de te ajudar a fugir e deixar para os menos privilegiados toda a consequencia em face do neoliberalismo e desenvolvimento insustentável praticado por cada um que sai da do planeta, mas saiba que vai batalhar muito antes de o contrário acontecer, o chão te absorver e ajudar cada vez mais a se tornar uma bolota de insuportável interna podridão, cada vez mais em direção á superfície, até tragar a todos, mas nao antes os poderesos e pivôs da extinção. E o Sol já nasce e interrompe o raciocínio, que cara chato. Enfim


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Editorial da Folha de S. Paulo, 17 de fevereiro de 2009

"Limites a Chávez

Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder

O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.

Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.

Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.

Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.

Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.

A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.

Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.

O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.

Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo."


Cartas publicados no Painel do Leitor no dia seguinte. Atenção para as respostas do jornal:

Ditadura "Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.

Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.

A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?

É a "novilíngua"?

Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.

É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário." SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

Cartas publicados no dia 19:

Ditadura

"Lamentável o uso da palavra "ditabranda" no editorial "Limites a Chávez" (Opinião, 17/2) e vergonhosa a Nota da Redação à manifestação do leitor Sérgio Pinheiro Lopes ("Painel do Leitor", ontem). Quer dizer que a violência política e institucional da ditadura brasileira foi em nível "comparativamente baixo'? Que palhaçada é essa? Quanto de violência é admissível? No grande "Julgamento em Nuremberg" (1961), o personagem de Spencer Tracy diz ao juiz nazista que alegava que não sabia que o horror havia atingido o nível que atingira: "Isso aconteceu quando você condenou à morte o primeiro homem que você sabia que era inocente". A Folha deveria ter vergonha em relativizar a violência. Será que não é por isso que ela se manifesta de forma cada vez maior nos estádios, nas universidades e nas ruas?"
MAURICIO CIDADE BROGGIATO (Rio Grande, RS)

"Inacreditável. A Redação da Folha inventou um ditadômetro, que mede o grau de violência de um período de exceção. Funciona assim: se o redator foi ou teve vítimas envolvidas, será ditadura; se o contrário, será ditabranda. Nos dois casos, todos nós seremos burros." LUIZ SERENINI PRADO (Goiânia, GO)

"Com certeza o leitor Sérgio Pinheiro Lopes não entendeu o neologismo "ditabranda", pois se referia ao regime militar que não colocou ninguém no "paredón" nem sacrificou com pena de morte intelectuais, artistas e políticos, como fazem as verdadeiras ditaduras. Quando muito, foram exilados e prosperaram no estrangeiro, socorridos por companheiros de esquerda ou por seus próprios méritos. Tivemos uma ditadura à brasileira, com troca de presidentes, que não vergaram uniforme e colocaram terno e gravata, alçando o país a ser a oitava economia do mundo, onde a violência não existia na rua, ameaçando a todos, indistintamente, como hoje. Só sofreu quem cometeu crimes contra o regime e contra a pessoa humana, por provocação, roubo, sequestro e justiçamentos. O senhor Pinheiro deveria agradecer aos militares e civis que salvaram a nação da outra ditadura, que não seria a "ditabranda"."
PAULO MARCOS G. LUSTOZA , capitão-de-mar-e-guerra reformado (Rio de Janeiro, RJ)

"Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!"
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)

Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa


Se você não concorda que a ditadura no Brasil foi branda, cancele sua assinatura da Folha de S. Paulo. Se você ficou indignado(a) com a agressividade do jornal contra os professores Fábio Konder e Maria Victoria Benevides, repasse esta campanha para os amigos e familiares. Se você tem um blog sem rabo-preso com as corporações de mídia, ENTRE NESTA CAMPANHA!


Direto do ProtoBLog